sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Eu nem sei por que me sinto assim
vem de repente um anjo triste perto de mim.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Nem os poemas de vanguarda continuam a acrescentar algo novo ao que quer que seja. Destruiram até a sinceridade que as palavras,não ditas,mas escritas, poderiam ter. Acabou a esperança. A esperança de um mundo melhor, de uma gente mais digna. Olha com que cara eu escrevo isso aqui. Com a estampa do conformismo nos olhos, com a certeza de que tudo está perdido. Sem luzes no fim dos túneis pichados. Olha bem pra mim e diz se você quer viver em um mundo assim, se você quer ser como quem está ao seu redor. Quem destrói sonhos sem o menor pudor. Não estou falando dos assassinos monstruosos que aparecem na tevê. Estou falando do seu amigo, do seu melhor amigo, por exemplo. Sabia que mais cedo ou mais tarde você vai acabar descobrindo que ele, sim, até ele, é um filhodaputa? E sabe o que você vai fazer? Nada. Você não vai fazer nada porque não dá pra fazer mais nada. Tá tudo perdido, acabou. Sai e procura as pessoas menos filhasdaputa que você encontrar pelo caminho. Mesmo sabendo que quem é pouco filhadaputa hoje pode se tornar o filhadaputa-mor amanhã. Basta um interessezinho, uma chance de te passar a perna. E ele mostra a cara. E você?Já mostrou a sua hoje? Ou ainda tá tentando ser o bom moço ou quem sabe a donzela sem pecados?Desiste,boy. Joga o jogo deles que é melhor. Joga antes que seja tarde e você não se encaixe mais. Joga antes que a roda gire bem rapidão e você não consiga mais alcançar. Porque, se isso acontece, aí sim você vai ver o quanto dói ficar sozinho. É, boy, no mundo em que a gente vive, neguinho não pode se dar ao luxo de tentar ser fiel não. Gente boa? Nem pensar. Enfia uns disfarces na mochila e sai logo atrás do que é teu. E vê se esquece de uma vez de querer o que você quer de verdade. Porque nesse mundo que a gente vive, você tem que querer o que eles querem que você queira. E tenta ir contra o relógio. Tenta subir a escada rolante que desce. Você acaba descendo pro inferno e ainda chega todo suado.
E isso aqui já não tem nenhuma graça. Essa ciranda sem fim, que gira, gira, mas não acaba nunca. Muda o cenário, mas seus personagens são sempre iguais. Gente suja, gente imunda, gente vazia. Que não sabe o que quer, e assim vai destruindo sem pudores o que vê pela frente. Está cheio delas. Estão em toda parte. Estão em todos, até em quem tenta,tenta não ser assim. Mas quem não tem essa coisa na alma não sobrevive, não passa pela seleção natural que o mundo impõe. Não venha dar uma de bonzinho, porque pra sobreviver todo mundo tem que ser curel. Tem uns que disfarçam mais que os outros, só isso. Mas no frigir dos ovos são todos iguais. Somos todos iguais. Um bando de hipócritas acreditando na mentira que nos vendem.The ceremony is about to begin. E nada muda. Eu não acredito mais no otimismo dos humanistas, nas promessas dos políticos, no heroísmo dos heróis. Essa sujeira toda não sai, não vai embora de jeito nenhum. Tá incrustada. Já faz parte de todos. A roda não gira mais sem ela. O que resta em uns ou outros perdidos, parcialmente fora do encaixe, é a eterna sensação de mau-estar, a coisinha que sussurra lá no fundo: "você vai se dar mal...". And turning inside out.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

La Maison Dieu

Se dez batalhões viessem à minha rua
E vinte mil soldados batessem à minha porta
À sua procura
Eu não diria nada
Porque lhe dei minha palavra.