quarta-feira, 28 de maio de 2008
Teria ditro nutro?Sim,disse nutro e relacionamento e rompimento e afeto,disse também estima e consideração e mais alto apreço e toda essa merda educada que as pessoas costumam dizer parar colorir a indiferença quando já não amam mais. Como sobreviver a isso daquele jeito, desamparada e descalça,sem maquiagem nem anjo da guarda,sozinha em casa e no planeta Terra?
Uma moça magra querendo controlar a própria loucura, discretamente infeliz, sem saber por que, começou a chorar, sentindo-se só e pobre e feia e confusa e abandonada e bêbada e triste, triste, triste. Te parece dócil, assim sinuosa, aparentemente evitando choques que possam machucá-la? Pois a mim parece falsa, conheço bem suas tramas e sei de todas as vezes que concedeu para que o de fora não a ferisse. Olha, ouve e repara: essas sinuosidades são de cobra, não de ave.
terça-feira, 27 de maio de 2008
quinta-feira, 15 de maio de 2008
(Este é literalmente um texto de auto-ajuda - estou tentando ajudar a mim mesma. Se servir pra mais alguém, ótimo. Mas não tenho a pretensão de ser dona da verdade de ninguém… Só da minha. E olhe lá.)
Problema é diferente de crise. O problema é um escorregão. A crise é um acidente grave de carro. O problema é perder 10 reais na rua. A crise é ter dívidas enormes com o banco e com o cartão de crédito. O problema é ter uma dor de cabeça. A crise é ter um tumor cerebral. O problema é discutir com o namorado por causa de um atraso. A crise é descobrir que não ama mais o marido. O problema é ficar de saco cheio do chefe de vez em quando. A crise é trabalhar sob constante estresse.
O problema é ter que passar o rodo no quintal depois da chuva. A crise é ver o barco enchendo de água durante a tempestade. Com o problema, você lida. Com a crise, você fica quase impotente. Quase.
Claro, tem gente que adora transformar problemas em crise. E gente também que enfrenta grandes crises tratando-as como pequenos problemas. Mas ninguém está livre nem de um, nem de outro. Uma hora, você vai topar com um dos dois, ou o que é pior - com os dois ao mesmo tempo.
Sobre os problemas, normalmente, não há com o que se preocupar. Eles vão passar, rápido. Para eles, vale aquelas máximas que as pessoas vivem dizendo. Por exemplo, que nenhum problema será relevante depois de um ano ( a maioria, nem depois de um mês ). E também que, se um problema tem solução, não é necessário se preocupar com ele, porque tem solução. E se não tem solução, idem.
Agora, a crise é diferente. Passar por ela é só para os fortes. Ela vai chegando de mansinho, tomando espaços vazios da sua vida, se instalando . Só que, de repente, vira um monstro terrível, pronto pra engolir você. Um nevoeiro que cega, não deixa você ver nenhum horizonte.
Os problemas nos desestabilizam, nos lembram que, como disse Victor Hugo, o riso constante é insano. Agora, as crises… Elas não. Elas vêm pra mudar a nossa vida. E mudam. Pra melhor ou pra pior.
E no meio da cegueira que a crise provoca, a gente precisa aprender a olhar.
Olhar para baixo, pois sempre haverá alguém que passa por uma crise pior do que a nossa… E nobreza mesmo é estender a mão para o outro quando queremos ser carregados no colo.
Olhar para cima, pois sempre há o apoio divino que pode resolver aquilo que ninguém mais pode.
Olhar para o lado, pois as pessoas sempre têm coisas importantes para nos ensinar e podem mostrar o que não conseguimos ver, seja por suas palavras, seja por seus exemplos.
Olhar para dentro, pois lá está a razão e a solução de tudo.
Olhar para fora, pois mesmo em crise, precisamos salvar o tempo do descanso, do sorriso e da beleza que está no mundo.
Olhar para trás, pois o nosso passado pode nos lembrar quem somos e qual é a nossa trajetória de crescimento.
Olhar para frente, pois como os problemas, um dia as crises passarão - mesmo que demore um pouco mais.
Acredito piamente que as crises sempre têm algo a ensinar, algo que só aprenderíamos passando por elas, e embora algumas sejam imprevisíveis… Nossa escolha conta muito. Um crise financeira pode nos ensinar a lidar de maneira mais consciente e generosa com o dinheiro, ou pode nos empobrecer e levar tudo que construímos. Uma crise de saúde pode nos ajudar a valorizar mais a vida, ou pode nos deprimir até beijarmos a morte. Uma crise na família pode nos lembrar da importância de ter alguém por perto, ou pode nos afastar das pessoas. Uma crise no amor pode nos fazer mais maduros, ou pode nos devolver à solidão. Uma crise no trabalho pode nos apontar novos caminhos de realização pessoal e profissional, ou pode nos deixar frustrados e infelizes. Uma crise existencial pode nos responder perguntas que sequer faríamos antes, ou pode nos calar. Não é fácil passar por uma crise. Mas pode ser bom. O sofrimento será proporcional a dureza da nossa cabeça - quanto mais flexíveis e abertos formos, mais rápido ela passa, e menos dor causa.
Meu avô dizia, quando eu não queria fazer lição de casa - “se tem que ser feito, faça logo; o tempo de brincar e ser feliz é muito mais precioso, e não pode ser perdido.”. No fim, a crise é mesmo uma questão de atitude. Com ela, aprendemos a olhar para muitos lados… Contanto que não fiquemos com os olhos presos nela.
“Mas, tão certo quanto o erro de ser barco a motor
E insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque
Não o vemos..."
Problema é diferente de crise. O problema é um escorregão. A crise é um acidente grave de carro. O problema é perder 10 reais na rua. A crise é ter dívidas enormes com o banco e com o cartão de crédito. O problema é ter uma dor de cabeça. A crise é ter um tumor cerebral. O problema é discutir com o namorado por causa de um atraso. A crise é descobrir que não ama mais o marido. O problema é ficar de saco cheio do chefe de vez em quando. A crise é trabalhar sob constante estresse.
O problema é ter que passar o rodo no quintal depois da chuva. A crise é ver o barco enchendo de água durante a tempestade. Com o problema, você lida. Com a crise, você fica quase impotente. Quase.
Claro, tem gente que adora transformar problemas em crise. E gente também que enfrenta grandes crises tratando-as como pequenos problemas. Mas ninguém está livre nem de um, nem de outro. Uma hora, você vai topar com um dos dois, ou o que é pior - com os dois ao mesmo tempo.
Sobre os problemas, normalmente, não há com o que se preocupar. Eles vão passar, rápido. Para eles, vale aquelas máximas que as pessoas vivem dizendo. Por exemplo, que nenhum problema será relevante depois de um ano ( a maioria, nem depois de um mês ). E também que, se um problema tem solução, não é necessário se preocupar com ele, porque tem solução. E se não tem solução, idem.
Agora, a crise é diferente. Passar por ela é só para os fortes. Ela vai chegando de mansinho, tomando espaços vazios da sua vida, se instalando . Só que, de repente, vira um monstro terrível, pronto pra engolir você. Um nevoeiro que cega, não deixa você ver nenhum horizonte.
Os problemas nos desestabilizam, nos lembram que, como disse Victor Hugo, o riso constante é insano. Agora, as crises… Elas não. Elas vêm pra mudar a nossa vida. E mudam. Pra melhor ou pra pior.
E no meio da cegueira que a crise provoca, a gente precisa aprender a olhar.
Olhar para baixo, pois sempre haverá alguém que passa por uma crise pior do que a nossa… E nobreza mesmo é estender a mão para o outro quando queremos ser carregados no colo.
Olhar para cima, pois sempre há o apoio divino que pode resolver aquilo que ninguém mais pode.
Olhar para o lado, pois as pessoas sempre têm coisas importantes para nos ensinar e podem mostrar o que não conseguimos ver, seja por suas palavras, seja por seus exemplos.
Olhar para dentro, pois lá está a razão e a solução de tudo.
Olhar para fora, pois mesmo em crise, precisamos salvar o tempo do descanso, do sorriso e da beleza que está no mundo.
Olhar para trás, pois o nosso passado pode nos lembrar quem somos e qual é a nossa trajetória de crescimento.
Olhar para frente, pois como os problemas, um dia as crises passarão - mesmo que demore um pouco mais.
Acredito piamente que as crises sempre têm algo a ensinar, algo que só aprenderíamos passando por elas, e embora algumas sejam imprevisíveis… Nossa escolha conta muito. Um crise financeira pode nos ensinar a lidar de maneira mais consciente e generosa com o dinheiro, ou pode nos empobrecer e levar tudo que construímos. Uma crise de saúde pode nos ajudar a valorizar mais a vida, ou pode nos deprimir até beijarmos a morte. Uma crise na família pode nos lembrar da importância de ter alguém por perto, ou pode nos afastar das pessoas. Uma crise no amor pode nos fazer mais maduros, ou pode nos devolver à solidão. Uma crise no trabalho pode nos apontar novos caminhos de realização pessoal e profissional, ou pode nos deixar frustrados e infelizes. Uma crise existencial pode nos responder perguntas que sequer faríamos antes, ou pode nos calar. Não é fácil passar por uma crise. Mas pode ser bom. O sofrimento será proporcional a dureza da nossa cabeça - quanto mais flexíveis e abertos formos, mais rápido ela passa, e menos dor causa.
Meu avô dizia, quando eu não queria fazer lição de casa - “se tem que ser feito, faça logo; o tempo de brincar e ser feliz é muito mais precioso, e não pode ser perdido.”. No fim, a crise é mesmo uma questão de atitude. Com ela, aprendemos a olhar para muitos lados… Contanto que não fiquemos com os olhos presos nela.
“Mas, tão certo quanto o erro de ser barco a motor
E insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque
Não o vemos..."
quarta-feira, 14 de maio de 2008
E veio a mim quando todo plano era um relance de um tempo distante. Eu olhei pros meus pés na UTI que cheirava a mijo e 409. Eu controlei minha respiração e disse pra mim mesma que já tinha suportado demais por hoje. Enquanto os batimentos enfraqueciam no LCD e te levavam um pouco mais longe de mim... Entre as máquinas de venda e as revistas do ano passado. Num lugar onde só dizemos adeus. Por causa de um deslize violento, agora as memórias dependem de uma câmera defeituosa em nossas mentes. E eu sei que você era verdade, e que você prefiria ser amada do que ser eterna.
por que você se foi assim?
Quando partiu, levava nos olhos um ar cansado, como se a vida já tivesse lhe sugado tudo e, por mais que ninguém de fora percebesse, suas mãos agora quietas mostravam que até sua alma já havia desistido de lutar. Mas tinha a cabeça erguida. Estava deitada em uma cama descolor, mas eu sabia que, se tivesse firmeza e forças, estaria de pé, altiva como sempre foi, e partiria sem sequer olhar pra trás. Porque olhar pra trás era uma maneira de ficar um pedaço qualquer e, assim, partir incompleta. Não olhava, pois, e pois não ficava. Completa, partiu. Podia ter ficado mais tempo, não sei, dizem que é o dia a hora o momento céu deus. O que eu sei é que a gente só deseja que fique pra sempre. O que eu sei é que ela foi, mas a dor ficou. Já li tudo, já tentei macrobiótica, psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação astrologia patins candomblé ecologia, e me sobrou só esse nó no peito e agora eu faço o quê?
Assinar:
Postagens (Atom)