domingo, 1 de junho de 2008

Tateio no escuro, espirrando o pó das cortinas, destruindo as teias com a cabeça. Me apoio pelas paredes, ouvindo os ecos dos passos pela casa vazia. Volto pra reabrir os livros, mexer nos rascuhos. Desenterro meus medos em forma de papéis amassados, escondidos no fundo do móvel, no canto do quarto fechado. Tento, então, juntar meu rosto, transformado em cacos.
Faço isso com pá e vassoura, um pouco depois do espelho quebrado, com a imagem dividida ao meio pelo trincar inesperado. Recolhi os pedaços de mim, espalhados pelo tapete, antes de querer me olhar mais uma vez. Antes de não encontrar mais o reflexo. Antes de não me enxergar mais na moldura dourada- sobrevivente pregada na parede do quarto.