quarta-feira, 25 de junho de 2008

Tem uma saia de retalhos coloridos até quase o chão cheio de lixo. Descalça no meio da calçada fria, sozinha e triste triste triste. Nos olhos, um pincel stone traçou enormes asas de sweet butterfly como se seu rosto fosse um jardim. Acompanhado pelos ecos da rua vazia, canta alguma coisa assim: "I'm so happy, I'm so happy 'cause today is the Day 'cause today is a Sunny Day". É muito jovem, mas a sua heroína levou embora o rosa de suas faces. Cheira, calma e lenta, a sândalo, a Oriente. Os retalhos da sua saia e do seu corpo exalam todos os cantos que ela já frequentou, tudo o que já aprendeu, tudo o que já sofreu. Beleza morta incrustrada em uma moça suja.
Se aquela fosse uma rua cheia, se fosse meio-dia de uma Terça-feira, mais um dia no seu trabalho agitado e vazio, você olharia praquela moça suja envolta de lixo e pensaria o quê? Ela pode tocar Pour Élise ao piano e você nem sabe o que é isso. Rimbaud foi para a África, Virginia Woolf jogou-se num rio, Oscar Wilde foi para a prisão, Mick Jagger injetou silicone na boca e Ela acabou na sarjeta. Mas pra quem a vê em uma Terça-feira vazia, é só mais uma perdida, uma mente vazia sedenta por drogas. Why not?


Lanço o meu olhar sobre o mundo e não entendo nada.