sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A flor furando o asfalto

De todas as coisas que me atraem, nenhuma toca o meu coração, embora todas juntas pertubem meus sentimentos.
É quando entardece que a cidade me engole. Pela manhã, as olheiras vêm à face como cicatriz de cansaço... ou de tempo.
Meu corpo anda dolorido e o vermelho que pulsa aqui dentro ansia calma.
e s t o u l e n t a.
Fortaleza, redemoinhos, asfalto... me desculpem, mas hoje eu quero ser pequena.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Nestas estradas de tantos rostos desconhecidos é sempre bom que deixemos um espaço reservado para a calma. Preconceitos são filhos de nossos olhares apressados. O melhor é ir devagar.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Possivelmente porque apenas as pessoas que amamos são realmente capazes de nos infernizar a vida.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

E ainda penso em você, acredita?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Pensando em te matar de amor ou de dor eu te espero calada.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Vem dizer adeus ao que restou de quem um dia foi feliz.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Bom dia, tristeza

"Bom dia, tristeza
Que tarde, tristeza
Você veio hoje me ver
Já estava ficando
Até meio triste
De estar tanto tempo
Longe de você
Se chegue, tristeza
Se sente comigo
Aqui, nesta mesa de bar
Beba do meu copo
Me dê o seu ombro
Que é para eu chorar
Chorar de tristeza
Tristeza de amar "


(V.M.)

sábado, 4 de outubro de 2008

30. 08. 07

Com passos silenciosos, vagueio pela casa observando as quatro paredes sujas da sala.Cheias de marcas de mão e gritos de socorro escritos com batom;berros feitos com a mão.Inúteis, porém. Deveriam ter sido feitos do lado de fora; quem sabe alguém não teria vindoao nosso socorro.Agora, é tarde demais. Nos transformamos nos restos deploráveis do que já fomos um dia.Por muito tempo, encostei o armário pesado atrás da porta para não perceber tudo isso. Fechei com tijolos as janelas e apaguei as luzes para não me enxergar no espelho. Em vão. Eu já estava morta.Ainda tentei te estender o tapee vermelho para que você passasse sem reparar na sujeiraque havia embaixo. Por um tempo, você acreditou na fantasia que eu criava. Até que,inevitavelmente, também caiu na realidade.Agora, somos prisioneiros de tudo isso. Dos anestésicos. Dos analgésicos. Dos antidepressivos. Dos gritos abafados no travesseiro e da infelicidade mórbida que parece rir do nosso desespero.Inutilmente, você tentou fugir. Com uma faca, tentou cortas as redes. Com chaves falsas,tentou abrir as algemas. Munido de ódio, gritou e gritou e gritou a fim de que alguém ouvisse. Inútil.Você deveria saber que eu troquei as fechaduras enquanto você dormia. Revesti as paredescom isolantes para que ninguém te ouvisse, além de mim. Alguns flocos, quase invisíveis, no seu jantar. Acho que você deveria saber que eu acho que você deveria saber um monte de coisas que nãosabe.Você deveria saber que só sai daqui se for pela janela. Pulando, assim como eu.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

"Não tem sol, nem solução. Não tem mal, nem maldição. Não tem sereno no meu dia. Não tem sombra e assombração. Não tem disputa por folia. Tem saudade e saudação. Tem uma parte que não tinha..."
E, por experiência própria, eu sei que logo, logo vai voltar a não ter. Já vi o suficiente pra entender que tudo vai embora. O amigo abandona, o marido abandona, o cachorro abandona, às vezes até o diabo te abandona. Não precisei nem de uma infância completa pra descobrir isso. E o amor? O amor abandona todo dia. E dói tanto. Mas acostuma, a tudo se acostuma.
Assim tem sido a nossa vida.

I'M OVER IT


Querido diário,


Estou repleta de pensamentos sombrios, mágoa, tristeza e frustração. Tem um monstro que me devora por dentro levando de mim tudo que eu considerava humano e verdadeiro. Quando aparece algo de sincero na minha vida, só parece. E isso me inclui.
Mas que diferença faz?