Caminho assim de lado, como se passasse por algum lugar apertado, porque tenho uma dor. Carrego seu peso como se portasse medalhas, ou milhares de dólares. Porque uma mulher com uma dor é muito mais elegante, torna-se inconfundível, chama atenção de longe. Não é qualquer um que carrega uma dor assim e continua de peito estufado. Como ela consegue?
Analgésicos, anestésicos ou coisas que o valha, não me toquem, não cheguem perto. A dor é minha, ninguém me tira. Eu, que achava-me impenetrável, me deixei ser invadida por ela, que agora me sustenta e me carrega pelos caminhos aterrorizantes dessa vida. A minha dor foi o que me sobrou de toda a amargura do meu viver sem cura.