domingo, 7 de dezembro de 2008

Passando a toa por algum lugar desses aí sempre iguais vi um manequim que me fez lembrar muito de uma pessoa: eu. Muito pálida e elegante em seu vestido preto, com nada mais que um filete de pérolas. E distante. Sempre elegante e distante. Você que me conhece um mínimo que seja pensa "q" e concordo com você. Pra todos + 1 eu tenho cara de tudo, menos de manequim sóbrio e distante. Ah, que boa atriz eu sou. Hollywood não sabe a atriz que tá perdendo. Quero um dia poder dizer às pessoas como eu relmente sou. E o por quê de ser assim. A vida sempre foi difícil demais pra mim, nunca me sobrou espaço pra ter angústia, pra ter medos terríveis nem pra ter tempo de chorar por tudo o que eu passei ou por toda a dor que me acompanha desde criança. Quando tudo começou a acontecer, eu nem sabia o que tava acontecendo, nenhuma criança de cinco anos entenderia aquilo, mas eu sentia que tinha dois caminhos. Ou eu me abria pro mundo de cara limpa e mostrava todos os meus (muitos) problemas ou guardava tudo. E crescia.
É, eu sou uma falsa. Ninguém sabe realmente que eu sinto. Ninguém sabe realmente quem eu sou. É impossível você saber quando meu riso é de verdade. Já disse que eu sou uma excelente atriz, modéstia à parte. Você não entende que tudo isso é auto defesa. Eu nunca tive ninguém que pusesse uma rede de proteção embaixo dos meus saltos. Sempre foi na marra. E é assim que vai continuar sendo. É graças a isso que hoje eu sou forte, corajosa e boa. Apesar de toda a amargura, de toda a dor que me envolve, eu ainda acredito nas pessoas. Não em mim, mas nas outras pessoas. Eu não tenho mais jeito. Cabeça de velho não muda mais. Mas você ainda pode ser sincera, pode ser quem você é, todos podem. Não guarde a sua dor pra você. Ao seu lado existem diversas pessoas com paciência e sincera vontade de compartilhar tudo isso com você, até aquelas de quem você não espera nada, tipo eu. Minha querida, ainda vale a pena pedir ajuda, por mais sujo que esse mundo seja. Sempre vai ter alguém que te estenda a mão. É, eu sei que isso soa muito hipócrita partindo de mim, logo de mim. Mas me responde. Você acha que se eu tivesse tido alguma chance de escolher alguma coisa nessa vida eu estaria aqui, assim desse jeito? Você tem a chance, aproveite. Mostre às pessoas que nada foi é em vão, que o amor vale a pena, que ainda vale a pena se doar às pessoas e às amizades. A vida ainda é bela sim. Apesar de tudo.
E sim, eu acredito de coração em tudo isso. Se não acreditasse, não levantaria da cama todos os dias. Tudo o que me persegue já é suficiente pra me convencer a não fazer isso. Acreditar nas pessoas e na vida ainda é o que me mantem viva e o que me dá um pouco de alegria, mesmo diante de tudo que me aconteceu e me acontece. Eu aprendi a lidar com isso, a lidar com quem eu não sou e com quem eu não quero ser.